Ananindeua – A Origem, parte II

FASES DA COLONIZAÇÃO

A colonização do Município de Ananindeua se desenvolveu em duas fases a saber:

1ª FASE

Nesta fase tem-se conhecimento que os primeiros colonizadores de Ananindeua foram os ribeirinhos, caboclos procedentes de outras localidades do interior paraense. Seguindo o curso do rio Maguary-Assu, chegando a localidade de Maguary na fase da cabanagem.

Vários fatores teriam contribuído para que os caboclos ali se estabelecessem, tais como a facilidade de acesso do Maguary a outras localidades vizinhas, a exemplos de Benfica, Benevides, Acará, Mosqueiro, Outeiro, e outros. A falta de povoamento da localidade, a mata cerrada, a facilidade de comunicação entre os rios, furos, igarapés e ilhas existentes.

Ao longo do tempo foram chegando os primeiros proprietários de terras. Por volta de 1850, alguns destes proprietários de terras se estabeleceram em diversos pontos do município, tais como Maguary, a área do Distrito Industrial e Mocajatuba, respectivamente. O Maguary é o mais antigo, segundo registro das terras de Francisco Gregório (1856).

Nas áreas que compreendem o Distrito Industrial e Mocajatuba, temos os proprietários Antônio Cândido Paes, Gregório Sérvulo de Andrade, Ignácio Thomas de Andrade, João Florêncio Golçalves e Manoel Constantino Leal – registro de 1880 à 1895. a posse destas terras eram denominadas de Mocajatuba, boca, Tropiqueira, São Sebastião do Maguary (hoje conhecida como a Quinta Carmita) sendo delimitadas pelos rios Maguari-Assu, Benfica e Ananindeua.

A partir de 1890, verifica-se o povoamento em outras partes tais como a Ilha de Suaçunema (1894), Ilha Roldão (1895), Ilha Mutum (1896) e outras.

A área conhecida como São Sebastião do Maguary, pertencia ao Sr. Francisco Gregório de Oliveira. O nome de São Sebastião foi dado em homenagem ao santo padroeiro de Acará. A imagem do santo foi entregue ao Sr. Marcelino de Oliveira, que manteve a tradição da família, realizando procissões pela localidade do Maguary. A data de chegada do Sr. Marcelino de Oliveira no Maguary foi em 1894, substituindo o nome anterior da propriedade. Em 1900 inaugura o casarão a Quinta Carmita – primeira escola do Município.

2ª FASE

A segunda fase da colonização iniciou-se com o advento da Estrada de Ferro Bragança 1884, com o trecho Belém – Benevides e posteriormente o surgimento das paradas e estações de trem,possibilitando o acesso ao Município, anteriormente feitos somente pelos rios da região.

Nesta fase, com a chegada dos retirantes nordestinos em busca de oportunidades nos engenhos, resultou o povoamento onde hoje é a sede de Ananindeua e os arredores circunvizinhos.

De maneira geral o processo de colonização deu-se de forma gradativa e lenta entre a 1ª e 2ª fases, devido principalmente a distância da sede a locais já povoados.

A partir da Estrada de Ferro até a instalação do Curtume Maguary criou-se um eixo de interligação maior com Belém, ocorrendo o aumento no crescimento populacional do município. Esse crescimento tornou-se desordenado em função da implantação de conjuntos habitacionais, gerando por sua vez, as áreas de invasão, que acarretam a superpopulação que hoje se integra à realidade local.

No Município de Ananindeua estão a maior área de invasão da América Latina, o Paar, e o maior conjunto habitacional organizado, o conjunto da Cidade Nova, realizado pela companhia de habitação do estado do Pará – COHAB.

O SURGIMENTO DO MAGUARY

Histórico

O Maguary é o núcleo mais antigo do Município de Ananindeua, na qual estão sedimentadas suas raízes. O surgimento do Maguary data do século passado, e surgiu gradativamente. Os primeiros registros assinalam a passagem de missionário pela vila. Os primeiros moradores em sua maioria eram ribeirinhos que chegavam em pequenas embarcações e de alguns beneficiários de terras que se estabeleceram no Maguary.

A vila do Maguary, antiga vila operária, recebeu a designação de vila a partir da instalação do extinto Curtume Maguary por volta de 1916, graças a ação dos sócios Saunders & Davids. As terras do Maguary pertenciam em sua maioria ao Curtume, que gerenciava a vila em seus tempos áureos. O Curtume Maguary tornou-se a 1ª industria organizada no ramo do curtimento de couro contribuindo para o progresso do Município e do Estado do Pará.

A vila do Maguary tinha ainda título de Vila Padrão, com sistema organizado de trabalho que favorecia aos seus moradores o acesso à assistência médica, alojamentos, clubes, recreação, esporte e lazer, e ainda moradias que eram construídas pelo Curtume de forma padronizada.

Ainda hoje a vila é constituída por antigos ex-funcionários do Extinto Curtume Maguary e seus descendentes.

A ORIGEM DO NOME MAGUARY

A origem do nome Maguary é proveniente de um pássaro chamado Maguary, ave típica da região amazônica que vive às margens dos igarapés.

O nome Maguary foi adotado pelos nativos e pescadores da vila, devido ao hábito desse pássaro aparecer às proximidades de um igarapé existente no local conhecido como cachoeirinha.

É grande a influência que o pássaro Maguary exerce na comunidade maguariense, e isto está presente em toda a sua história, tais como: o surgimento da vila Maguary, o principal rio que serve ao município, a industria de curtimento de couro, a comercialização da água mineral distribuída no Estado do Pará, ao principal açude e o primeiro time de futebol do município, entre outros.

O Maguary – nome científico: ardea cocoi l. – é uma ave pernalta da espécie socó[1], de grande porte, pertencendo a família dos Ardeídos, mede 1.30 cm e seu bico mede 13 cm de comprimento, sustentado por um pescoço muito longo, olhos esverdeado e circundados de amarelo, tem o peito estreito e depenado, plumagem do corpo cinzenta e preto o alto da cabeça, rêmiges, lado do peito e cauda igualmente pretos, e abdômen branco. Para se alimentar, mostra-se paciente, porém ótimo pescador. Fica a espera que peixe apareça  para cair-lhe em cima inapelavelmente, seu pouso é feito à beira dos rios, onde fica encarapitado nos galhos das árvores que margeiam os rios, à espera de sua presa. Quando o peixe vem à tona para renovar o oxogênio, cai sobre ele e o devora, tem rouca voz e ao mesmo tempo sonora. Quando em repouso, mantém o pescoço dobrado em s, em vôo o mantém recurvado.


[1] Ave pernalta da família dos ardeídos, de costumes migratórios, habita nos encharcados e beira de rios.

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Publicado em 29 de agosto de 2010, em Cultura e Arte e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. boa tarde, estou fazendo um trabalho sobre ananindeua, encontrei seu blog e gostaria de sabe o nome para colocar em min has referncias. obrigado

  2. Olá, amigo!

    Obrigado pelo acesos ao Blog!

    Para você citar a referencia pode informar o nome do blog “Teclando se Aprende”, o título do artigo, neste caso “”, o endereço do artigo e a data de acesso. Veja como fica:

    TECLANDOSEAPRENDE. Ananindeua – A Origem, parte II. Disponível em: http://teclandoseaprende.wordpress.com/2010/08/29/ananindeua-a-origem-parte-ii/. Acesso em: 23 de maio. 2011.

    Abraços,

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